Supermercados gaúchos registraram crescimento real de 3,4% nas vendas em 2016


Um dos mais fiéis termômetros da economia por sua penetração e representatividade no cotidiano dos consumidores, o setor supermercadista gaúcho mostrou sinais de retomada e voltou a crescer, em 2016, na comparação com o ano anterior. Nesta quarta-feira (19), o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) Antônio Cesa Longo revelou os detalhes do Ranking Agas 2016, estudo que contemplou as 252 maiores companhias do setor no RS para mapear o desempenho dos supermercados do Estado no ano passado e revelar alguns dos novos hábitos de consumo e mudanças no comportamento dos gaúchos em frente às gôndolas do setor. Segundo a pesquisa, os supermercados do RS registraram juntos um faturamento bruto de R$ 28,7 bilhões em 2016, um crescimento nominal de 9,7% em relação a 2015. Deflacionado pelo IPCA/IBGE no período, o número mostra um crescimento real de 3,4% para o setor supermercadista gaúcho em 2016. “Há uma clara readequação dos consumidores ao seu poder de compra, mas o varejo mais uma vez deu mostras de sua agilidade e está completamente alinhado às necessidades do seu cliente. Este entendimento permitiu que o setor crescesse acima da inflação em 2016, apostando em uma gestão eficiente das empresas e com foco no giro dos produtos”, explica o presidente da Agas. Elaborado desde 1991 pela Associação, o Ranking Agas 2016 destacou também as companhias do setor que mais se destacaram por seu crescimento e com cases de gestão. Os destaques da pesquisa serão homenageados em cerimônia que congregará mais de 750 convidados na noite do dia 25 de abril, a partir das 20 horas, no Grêmio Náutico União (Rua João Obino, 300), em Porto Alegre.

Os números do setor

O Ranking Agas 2016 contou com a participação de 252 empresas de supermercados estabelecidas no Rio Grande do Sul, com faturamentos anuais entre R$ 360 mil e R$ 5,5 bilhões. Juntas, estas 252 companhias faturaram R$ 22,7 bilhões em 2016 – 79% do total do setor no Estado. A partir do levantamento, a Agas concluiu que o setor supermercadista gaúcho finalizou o ano de 2016 com:

Os supermercados do RS 2012 2013 2014 2015 2016
Faturamento total do setor R$ 19,3 bilhões R$ 21,9 bilhões R$ 24,1 bilhões R$ 26,2 bilhões R$ 28,7 bilhões
Participação nas vendas do setor no Brasil 7,7% 8,0% 8,1% 8,2% 8,4%
Número de lojas 4,1 mil 4,3 mil 4,4 mil 4,4 mil 4,4 mil
Funcionários 89.095 91.767 93.602 94.538 95.818

A pesquisa mostra que a participação do setor supermercadista gaúcho no PIB do Estado cresceu nos últimos anos, chegando a 6,9% em 2016. “Os supermercados do RS também expandiram sua participação no faturamento total dos supermercados brasileiros, que foi de R$ 338,7 bilhões em 2016. Com isso, o Rio Grande do Sul já tem 8,4% das vendas do setor no País, consolidando-se como a terceira força nacional no varejo de autosserviço”, enaltece Longo. Segundo o Ranking Agas, o número de lojas supermercadistas estabelecidas no Estado manteve-se estável nos últimos três anos, mas a mão de obra contratada cresceu cerca de 1%. “Saudamos que haja espaço para todos os formatos de empresas e atendimento pleno a todos os perfis de consumidores. Em 2016, vimos muitos supermercados fechando suas portas e sendo imediatamente substituídos por outras empresas do setor com um perfil mais adequado para aqueles consumidores. Isto mostra uma seleção natural que o cliente determina de acordo com suas necessidades”, pontua o dirigente. 

Participação das 10 maiores no setor diminuiu – Em um claro sinal de oportunidade para pequenas e médias empresas, a concentração de mercado mais uma vez diminuiu, no setor, no Rio Grande do Sul: juntas, as dez maiores companhias supermercadistas gaúchas somaram um faturamento de R$ 15,1 bilhões, representando 52,6% do total vendido nos caixas dos supermercados gaúchos em 2016 – em 2015, as dez maiores representavam 53,4% do faturamento total.

Com relação à empregabilidade, as 10 maiores também perderam representatividade: a participação dos 10 primeiros do Ranking na contratação de mão de obra é de 45,1% (contra 45,6% em 2015), com 43,3 mil colaboradores. “É a prova de que que as empresas de médio e pequeno porte apostam nos diferenciais de atendimento para conquistar mercado”, sublinha Longo.

2016 Empresa Localidade Faturamento bruto Nº de caixas Nº de lojas Nº de funcionários
1 Walmart* Porto Alegre R$                     5.550.896.992,00 1.604 103 14.318
2 Companhia Zaffari** Porto Alegre R$                     4.958.000.000,00 932 34 11.458
3 Supper Rissul Esteio R$                     1.308.786.576,00 451 47 4.720
4 Asun Supermercados Gravataí R$                        553.575.914,00 242 27 2.577
5 Imec Supermercados Lajeado R$                        542.608.804,00 185 21 1.947
6 Supermercados Guanabara Rio Grande R$                        493.869.431,00 203 10 2.212
7 Comercial Zaffari Passo Fundo R$                        491.172.637,87 243 18 1.463
8 Master ATS Supermercados** Erechim R$                        452.801.807,00 152 10 1.454
9 Peruzzo Supermercados Bagé R$                        431.390.234,23 215 21 1.879
10 Rede Vivo Santa Maria R$                        385.049.345,00 179 23 1.350

 

(*) Dados estimados pelo Depto Econômico da Agas

(**) Inclui faturamento das lojas de São Paulo/SP

Empresas médias em evidência – Pelo sétimo ano consecutivo, as empresas de porte médio foram as que mais cresceram no setor supermercadista gaúcho, superando as grandes e as pequenas.Segundo Longo, a capacidade de identificar desperdícios e o apelo local destas empresas é decisivo para este crescimento. “As empresas médias normalmente são identificadas historicamente com a sua cidade ou comunidade. São pontos de venda em que o consumidor se sente em casa, e em que o supermercadista consegue fazer diagnósticos de perdas. Hoje, o supermercado de sucesso é aquele que consegue reduzir custos sem prejudicar seus serviços”, sugere o dirigente.

Confira o crescimento nominal por categoria:

Pequenas (até R$ 20 milhões por ano): +9,3%

Médias (de R$ 20 milhões a R$ 100 milhões por ano): +12,1%

Grandes (mais de R$ 100 milhões por ano): +9,5%

Lucro líquido do setor é a novidade da pesquisa – Pela primeira vez desde 1991, o Ranking Agas 2016 perguntou às empresas entrevistadas qual é o percentual de lucro líquido das companhias do setor sobre o faturamento total contabilizado. Segundo o estudo, a média de lucro líquido dos supermercados gaúchos em 2016 foi de 1,8% sobre o faturamento total.

Outra novidade da pesquisa foi a inclusão de uma questão sobre os índices de perdas do setor: oRanking Agas 2016 mostra que os supermercados do Estado perderam em média 2,5% do que faturaram com furtos, roubos, quebras e desperdícios no ano passado.

Parcelamentos perdem espaço – Mesmo que a economia tenha dado as primeiras impressões de uma retomada, o consumidor gaúcho mais uma vez reduziu sua compra parcelada e preferiu opções à vista, sobretudo dinheiro e cartão de débito, para efetuar suas compras em supermercados. “Isto mostra novamente uma forte intenção dos gaúchos evitarem o endividamento”, afirma o presidente da Agas. Conforme dados da pesquisa, 100% dos supermercados gaúchos aceitam cartões ou outros meios eletrônicos de pagamento, e 30,6% dispõem de cartão de crédito de bandeira própria. Os pagamentos em dinheiro cresceram pela segunda vez em cinco anos:

Meio de pagamento 2012 2013 2014 2015 2016
À vista (dinheiro) 25,5% 24,9% 24,8% 26,8% 27,4%
Cartão de débito 28,0% 28,2% 28,5% 27,3% 29,2%
Pré-datado 7,4% 5,6% 3,6% 5,0% 4,0%
Cartão de crédito 32,4% 34,3% 35,3% 33,8% 32,8%
Ticket 5,8% 5,2% 6,2% 5,6% 5,1%
Outros 1,1% 1,8% 1,5% 1,5% 1,4%

 

Hábitos de consumo – Os supermercadistas entrevistados pelo Ranking Agas 2016 apontaram alguns hábitos de consumo e mudanças na rotina de compras dos gaúchos no ano passado. “O consumidor está cada vez mais atento aos preços e em busca de praticidade. Hoje, o cliente fica em média 15 segundos em frente à gôndola, enquanto há cinco anos este tempo médio era de 40 segundos. Além disso, 70% das compras são decididas efetivamente no ponto de venda”, explica Longo.

Algumas categorias de produtos despontaram em vendas no ano passado, enquanto outras registraram queda ou estagnação nas vendas. Confira:

Vendas em alta em 2016                                           Vendas em baixa em 2016

Cervejas especiais                                                       Sucos de soja

Café em cápsula                                                          Cortes bovinos

Inseticidas                                                                    Óleo de soja

Rações                                                                         Sabão em pó

Produtos saudáveis

Tíquete médio – Com relação ao desembolso médio efetuado por compra, os gaúchos aumentaram o tíquete de R$ 44,02 em 2015 para R$ 47,80 em 2016, em média. O aumento, segundo Longo, acompanha a inflação no período. “Também percebemos um acréscimo no número de visitas às lojas, já que o consumidor está muito preocupado em economizar e em encontrar promoções. O gaúcho é o consumidor mais exigente do Brasil e está mais atento do que nunca aos preços”, destaca.

Clareza na gôndola – Acompanhando uma tendência iniciada em 2015, os supermercados gaúchos mantiverem reduzido seu mix de produtos trabalhados em 2016. Segundo o presidente da Agas, o objetivo deste enxugamento é melhorar a gestão das categorias de produtos, estreitar o relacionamento com fornecedores e tornar mais claro e rápido o acesso dos consumidores aos produtos em frente às gôndolas. “O consumidor está em busca de praticidade e o varejo percebe rapidamente os produtos que dão rentabilidade a cada categoria. É mais um passo de profissionalização da operação dos supermercados”, explica Longo.

Mix médio de produtos por empresa:

2014: 15.088 itens

2015: 12.540 itens

2016: 12.939 itens

Marca própria segue com seu espaço – Sensação no início dos anos 2000, os produtos de marca própria dos supermercados perderam espaço nos últimos três anos no Rio Grande do Sul. Enquanto em 2014 cerca de 17% dos supermercados gaúchos disponibilizavam itens de marca própria em suas lojas, em 2016 o número chegou a 14,7% – praticamente o mesmo de 2015. “Nenhuma empresa estampará seu nome em um produto de baixa qualidade e, por isso, a marca própria só é produzida quando seu custo-benefício é interessante ao supermercadista e ao consumidor”, explica o presidente da Agas. Segundo os dados do levantamento, os consumidores gaúchos podem encontrar 3,5 mil itens de marca própria nos supermercados no RS. As empresas que trabalham com itens de marca própria informaram que, em média, estes produtos representaram 4,4% do seu faturamento em 2016.

Investimentos – De acordo com o Ranking Agas 2016, 25,4% dos supermercados gaúchos pretendem fazer algum tipo de investimento em construção ou reforma de lojas em 2017. “O número é praticamente igual ao do ano passado. Isto mostra que mesmo em um cenário de instabilidade econômica, o varejista quer garantir a otimização dos seus pontos de venda, melhorar serviços e investir”, lembra Longo. Na soma de seus investimentos, os supermercados ouvidos pela pesquisa deverão aportar pelo menos R$ 79 milhões em novas lojas e R$ 73,9 milhões em reformas durante 2017.


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