As regiões paulistas baseadas mais fortemente no setor de serviços  – como é o caso de Ribeirão Preto – sofreram menos os efeitos da crise pela qual a economia brasileira atravessa e apresentaram maior estabilidade do PIB regional nos últimos anos. É o que mostra o Boletim Estrutura Produtiva, do Ceper/Fundace, divulgado agora em novembro.

O estudo fez uma análise da variação do PIB nas diversas regiões administrativas do estado de São Paulo em dois períodos – de 2010 a 2015 e de 2013 a 2015, este último com o objetivo de verificar qual região vem sofrendo mais os efeitos da crise econômica interna.

Todas as regiões, como mostra o Boletim,  apresentaram uma retração importante do PIB a partir de 2013,sobretudo as regiões mais industrializadas, como é o caso de Campinas, São José dos Campos e Sorocaba. Em todas elas, a queda do PIB foi superior a 8%.

Como explica o coordenador do Boletim Estrutura Produtiva, Luciano Nakabashi, a indústria sofre mais comparado com os demais setores devido a uma conjuntura de câmbio apreciado e de elevação dos salários reais, com dificuldade de repasse para os preços finais por conta do excesso de produtos manufaturados no mundo em decorrência da crise que afetou fortemente a Europa, os EUA, além de outras regiões.

Assim como a indústria, a agropecuária – base da economia na região de São José do Rio Preto, por exemplo – também é mais sensível aos efeitos da crise. Isso porque os bens produzidos nestes dois setores são comercializáveis e, portanto, mais suscetíveis a mudanças no cenário internacional (demanda e oferta em outros países) e na taxa de câmbio, justifica Nakashi.

“Uma maior importância do setor de serviços fornece uma maior estabilidade do PIB regional ao longo do tempo”, explica o pesquisador do Ceper. “O setor de serviços possui grande importância na evolução do PIB de cada região devido ao seu grande peso na geração de valor”, complementa.

Embora cada região tenha um setor com maior peso, o setor de serviços, de forma geral, pode ajudar na recuperação da economia em todas as regiões do Estado a partir de 2017. “Com alguns sinais de melhora em alguns indicadores econômicos do País, o que vem permitindo o início de uma trajetória da redução dos juros, é possível que o setor de serviços comece a se recuperar a partir de 2017, puxando a economia das regiões paulistas”, conclui o pesquisador.