A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano de 2016 com alta de 6,29%, resultado 0,30% maior em dezembro. Os dados da inflação oficial do país foram divulgados nesta quarta-feira (11), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com Rogério Mori, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP), essa queda está claramente associada ao forte desaquecimento da atividade econômica do país. “A inflação demorou a ceder no Brasil, somente a partir de setembro assumiu uma trajetória de queda. Isso ocorreu porque o BC foi permissivo com a alta da inflação no início de 2016, provocando um ritmo cada vez mais intenso. Some-se ainda, o fato de que a economia brasileira ainda exibe resíduos de indexação em vários preços e contratos (mesmo que em bases anuais), o que torna o comportamento da inflação mais rígido e aumenta o custo em termos de crescimento para trazê-la de volta ao centro da meta”.

Mori destaca que algumas pressões inflacionárias devem ocorrer nesse início desse ano. “A alta dos preços de materiais escolares, matrículas e mensalidades devem pressionar a inflação. No entanto, essas pressões devem ser pontuais”.

O professor finaliza afirmando que “muito provavelmente, a inflação brasileira deverá fechar 2017 próxima do centro da meta, de 4,5%, ou seja, a trajetória de queda dos juros deve prosseguir, o que se traduzirá em uma diminuição da rentabilidade das aplicações de renda fixa ao longo do ano. De qualquer forma, mesmo com esse cenário, as alternativas de investimentos não se mostram muito melhores: com a economia fraca, a Bolsa de Valores não deverá apresentar grandes perspectivas face à renda fixa no Brasil que, mesmo com juros menores, continua a ser atrativa em termos de investimento.”