Acusada de racismo nas redes, Bombril vai tirar ‘Krespinha’ do portfólio

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A Bombril chegou nesta quarta-feira, 17, aos assuntos mais comentados do Twitter por ter em seu portfólio a esponja de aço chamada “Krespinha”. O produto, que já contou com a gravura de uma mulher negra em suas propagandas, era descrito em sua embalagem atual como ideal para “limpeza pesada”. Dentre os argumentos dos internautas, que reuniam ativistas e pessoas comuns, estavam a associação preconceituosa do produto ao cabelo crespo e aproximação da figura da mulher negra ao trabalho doméstico pesado.

Após a hashtag #BombrilRacista atingir os trending topics, a empresa publicou um posicionamento em sua conta nas rede social. Na nota, a companhia pede “sinceras desculpas” e diz que decidiu retirar a marca do seu portfólio. Segundo a Bombril, não houve relançamento ou reposicionamento recente de marca para este item. “Diferentemente do que foi divulgado nas redes sociais e mídia em geral, não se tratava de lançamento ou reposicionamento de produto. A marca estava no portfólio há quase 70 anos, sem nenhuma publicidade nos últimos anos, fato que não diminui nossa responsabilidade”, disse a companhia.

Marcas internacionais têm atendido à demanda dos protestos antirracistas de se comprometerem com a diversidade. Ainda hoje, a americana Quaker Oats afirmou que mudará o nome e a imagem da marca de mistura para panquecas “Aunt Jemina”. Depois de 131 anos de existência, a companhia – que é parte do grupo PepsiCo – reconheceu que o nome e a gravura de uma senhora negra na embalagem eram “baseados em um estereótipo racial”. Também neste ano, a marca americana de manteiga Land O’Lakes anunciou que não utilizaria mais a imagem de uma mulher americana nativa em suas embalagens.

Na tarde desta quarta, mesmo antes do posicionamento oficial da Bombril, o produto que gerou as manifestações nas redes já não constava mais no site da empresa. Na nota, o grupo se compromete a rever suas estratégias de comunicação. “Em função disso, vamos rever toda a comunicação da Companhia, além de identificar ações que possam gerar ainda mais compromisso com a diversidade”, finaliza a nota.

Para o professor de Políticas de Diversidade na Fundação Getúlio Vargas, Thiago Amparo, as duas associações, tanto a que faz relação com o cabelo crespo, quanto a que liga a mulher negra ao serviço doméstico, claramente reforçam estereótipos que deveriam ser combatidos. “Segundo pesquisa recente do Ipea, o trabalho doméstico ainda recai, em sua maior parte, sobre mulheres negras”, lembra o professor. Em sua visão, mesmo o pedido de desculpas das marcas nestes casos, deveria fugir do termo “sem a intenção de ofender”. “É muito difícil que haja declaradamente a intenção, mas o reforço do estereótipo foi feito. Para isso é preciso, além do reconhecimento do erro, haver políticas reais por parte da empresa para remediar o ocorrido e ajudar a desconstruir estes preconceitos”, completa Amparo.

Fonte Estadão
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