Estudo da Nielsen revela revolução dos alimentos na América Latina


As crescentes preocupações sobre obesidade e sobrepeso na América Latina, os problemas de saúde (hipertensão, diabetes, etc.), provocados por este padecimento e o gasto que as doenças geram aos governos obrigam os consumidores, governos e

fabricantes a tomar ações imediatas para contornar o problema.

Hoje, existem mais de 250 milhões de adultos latino-americanos com sobrepeso, Brasil (54%), México (64%), Colômbia (57%) e Argentina (62%) estão no top 25 dos países com maior incidência deste problema, com altas taxas de crescimento nos últimos anos e preocupantes níveis de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade infantil.

O sedentarismo nos escritórios, as grandes distâncias a se percorrer nas áreas urbanizadas e o crescente ingresso de mulheres no mercado de trabalho apresentam como consequência a falta de tempo da população para realizar atividades físicas e domésticas, o que também implica em menos tempo para preparar alimentos em casa, frescos e saudáveis. Esta situação tem levado ao consumo de alimentos processados com mais frequência, com maior probabilidade de conter altos níveis de gordura, açúcar ou sal.

Nossa pesquisa mostra que os consumidores latino-americanos estão cada vez mais preocupados com os problemas de saúde e buscam alimentos locais, frescos e orgânicos.

Os consumidores não estão mais dispostos a assumir uma atitude passiva em relação à compra de alimentos, onde a conveniência costumava ser o principal motor. Hoje, exigem que seus alimentos tenham rótulos com mais informações sobre seus ingredientes e nutricionais para ajudá-los a fazer escolhas mais saudáveis. Melhores rótulos podem servir aos fabricantes como uma vitrine para comunicar aos consumidores sobre os benefícios do consumo de seus produtos,  76% dos brasileiros entrevistados disseram que leem os rótulos para verificar o conteúdo nutricional dos alimentos.

Estas tendências impactam o comportamento dos consumidores latino-americanos, o que se reflete nas vendas medidas pela Nielsen. 67% dos brasileiros responderam que preferem comprar em varejistas especializados para encontrar maior oferta de alimentos saudáveis.

Os governos desempenham um papel fundamental na luta contra a altos níveis de obesidade e excesso de peso, por isso não é de se estranhar que, em 2016, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um comunicado, solicitando aos governos mundiais a tomarem medidas para resolver este desafio global, com recomendações como a implementação de impostos sobre os produtos de alto teor calórico e aplicação de sistemas padronizados de rotulagem na frente dos produtos, com fácil compreensão para qualquer consumidor.

Estas recomendações geram pressão sobre os governos para criar discussões e chamar a atenção para o tema da obesidade e excesso de peso, por isso podemos esperar ações que devem ser tomadas rapidamente em nossa região. México e Chile já implementaram impostos sobre os produtos com alto teor calórico e, por seu lado, a Colômbia já iniciou debates para estas iniciativas, tornando-se altamente provável que demais países da região sigam seus passos.

As empresas que buscam maneiras de melhorar os benefícios de seus produtos à saúde de forma proativa e são capazes de antecipar a tempestade para aqueles produtos com alto teor calórico, tomam um passo à frente para potencializar suas vendas nos próximos anos.

Nossa análise mostra que algumas das iniciativas de saúde já são parte das prioridades de algumas empresas, mas as demais deverão considerar mudanças nas seguintes 4 áreas-chave:


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