Colgate-Palmolive está disposta a negociar sua venda, diz jornal


A empresa americana de bens de consumo Colgate-Palmolive está disposta a negociar sua venda, segundo informação do “The New York Post”, citando fonte. O preço para fechar um acordo seria de US$ 100 por ação, o que avaliaria a empresa em mais de US$ 88 bilhões.

O presidente-executivo Ian Cook teria dito em reunião com investidores institucionais nas últimas semanas que poderia vender a empresa por US$ 100 por ação, segundo fonte ouvida pelo “The Post”.

A Unilever, a fabricante do sabonete Dove e do desodorante Axe, teria interesse em disputar a compra, segundo fonte.

A potencial aquisição da Colgate pela Unilever seria um divisor de águas para o negócio da anglo-holandesa na América Latina, além de levá-la à liderança do mercado de cuidados bucais, diz o Société Générale.

Na semana passada um acionista perguntou a Cook, durante a reunião anual, qual seria sua resposta caso a Unilever fizesse uma oferta, diz o jornal. “Nós, como companhia, construímos valor para nossos acionistas e todos os participantes da nossa companhia”, respondeu o executivo. “E isso é o que vamos fazer, deixando os rumores e especulações seguirem seu próprio curso.”

O Post sugere que a Procter & Gamble também poderia estar interessada na Colgate, por influência do investidor ativista Nelson Peltz.

A reportagem cita ainda a Johnson & Johnson e a aliança formada pelo bilionário Warren Buffett e o conglomerado brasileiro 3G Capital, dono da Kraft Heinz, como potenciais interessados no negócio.

As ações da Colgate sobem 2,6%, cotadas a US$ 73,44. Perto da abertura do pregão a ação alcançou a valorização máxima de 3,54%.

Oportunidade

Na avaliação da casa de análise Jefferies, a  potencial compra da Colgate pode ser uma oportunidade única para a Unilever.

“Nós temos defendido que a melhor estratégia para a Unilever é construir uma ‘nova ordem global’ em cuidado pessoal com a compra da Colgate”, diz o analista Martin Deboo em relatório. A Unilever deve vender seus negócios de alimentos e bebidas para financiar parte da aquisição, segundo ele.

O Jefferies considera a Colgate como um negócio altamente atrativo para a Unilever, que alcançaria a liderança em cuidados bucais, corrigindo sua fraqueza na categoria, além de reforçar a presença da empresa em produtos para o lar.

“Nós consideramos que as duas culturas corporativas são compatíveis. Deve haver mínimas questões antitruste, relacionadas principalmente à Índia e à América Latina”, diz Deboo.

Ao fim, seria criado um negócio em que a Unilever (após se desfazer das categorias de alimentos e bebidas) teria 100% de suas vendas em higiene e cuidados pessoais, dois terços das vendas em mercados emergentes e posições de liderança em muitos emergentes, estima o Jefferies.

A receita líquida da Colgate somou US$ 15,2 bilhões em 2016, queda de 5,2% na comparação com um ano antes. A América Latina representa seu maior mercado e foi responsável por 24% das vendas no ano passado.

A Unilever registrou receitas de 52,71 bilhões de euros em 2016, queda de 1% sobre o ano anterior. Segundo a empresa, apesar de um bom desempenho geral no ano passado, condições ainda difíceis em mercados como Brasil e Índia pesaram sobre os resultados.

Em fevereiro, a Kraft Heinz, conglomerado de alimentação controlado pelo grupo brasileiro 3G e pelo investidor Warren Buffett, fez uma oferta de US$ 143 bilhões pela Unilever, recusada pela anglo-holandesa, que considerou “não ver [na operação] nenhum mérito, financeiro ou estratégico, para seus acionistas”.

A partir daquele momento, no entanto, a Unilever passou a ser cobrada por analistas para buscar alternativas para fortalecer seu negócio, como uma eventual grande aquisição.


Fonte Valor Econômico

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