Sai o vale-transporte, entra o vale-internet: o que muda na cesta de benefícios com o home office permanente

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A transformação do home office em política permanente de trabalho vai exigir uma readequação da cesta de benefícios oferecida aos funcionários. Por enquanto, são poucas as mudanças realizadas pelas empresas, como substituição do vale-transporte por um auxílio para pagamento da banda larga doméstica. Mas especialistas em Recursos Humanos apostam em alterações mais bruscas lá na frente, como uma adoção maior dos benefícios flexíveis.

Quais benefícios deixaram de fazer sentido? Com os funcionários trabalhando de casa, alguns benefícios foram cortados ou substituídos por outros. O principal exemplo é o vale-transporte. “Algumas empresas trocaram o vale-transporte por serviços de aplicativo, como Uber e 99”, diz Rafael Ricarte, líder de produtos de carreira da Mercer Brasil.

Esse foi o mesmo caminho seguido por empresas que colocavam veículos à disposição de seus funcionários, segundo Mario Penna, gerente sênior da Michael Page. “Elas já vinham trocando a frota de veículos por aplicativos.”

E companhias algumas trocaram o vale-transporte por um vale-internet, caso da Soft Trade. A empresa oferece um auxílio para pagamento da banda larga doméstica para funcionários que ganham até R$ 3.000. A Loft passou a dar um auxílio de R$ 120 aos colaboradores, independentemente da faixa salarial, para custear os gastos com internet e telefonia.

Quais benefícios foram transformados?

Com restaurantes fechados e com as pessoas passando mais tempo em casa, muitas empresas transformaram o vale-refeição em vale-alimentação. Empresas que ofereciam os dois benefícios permitiram que o funcionário lançasse no vale-alimentação os créditos do vale-refeição, o que ajudou a garantir as compras do supermercado neste período de pandemia.

Penna, da Michael Page, diz que há casos de empresas que já retornaram ao trabalho presencial e estão oferecendo aos funcionários a entrega da refeição. “Elas fecharam acordos com apps de entrega ou restaurantes próximos para entregar a refeição no local de trabalho e, dessa forma, evitar a exposição de sair às ruas na hora do almoço.”

Que benefícios já surgiram?

Além do já mencionado vale-internet, muitas empresas permitiram que seus funcionários levassem para casa equipamentos e móveis de escritório, como mesa, cadeira, notebook e mouse. Esse é o caso da Soft Trade, que não pretende retornar ao trabalho presencial até janeiro de 2021, e por isso já devolveu o escritório que ocupava antes na avenida Luís Carlos Berrini, zona sul de São Paulo.

“Como a gente devolveu o escritório, e muitos funcionários não tinham equipamentos adequados para trabalhar em casa, permitimos que levassem cadeira, mesa, mouse, supote para casa”, disse Arthur Cymerman Asnis, sócio da Soft Trade.

Muitas empresas também passaram a oferecer terapia online para os funcionários. “A saúde mental ganhou um peso importante agora na pandemia. A crise de saúde virou uma crise política, social e emocional com todo mundo confinado dentro de casa. As empresas perceberam a importância desse tema e correram para oferecer isso aos funcionários”, afirma Penna.

O que vem por aí?

Ricarte e Penna dizem que uma opção pouca utilizada hoje pode ganhar destaque com a intensificação do home office. São os chamados planos de benefícios flexíveis, que permitem que os funcionários decidam quanto vão gastar com cada benefício, de acordo com suas necessidades. Se a pessoa não tem carro, por exemplo, não precisa de vale-combustíveis. Se quer um plano de saúde mais simples, pode migrar de categoria e utilizar a diferença para melhorar outro benefício.

“Dentro desse cenário de home office faz muito sentido avaliar esse tipo de solução, que permite que as pessoas decidam aquilo que é mais necessário para elas. Já fazia sentido com os colaboradores dentro do escritório, quando uns preferiam levar marmita e outros almoçar fora, faz ainda mais agora, com as pessoas em casa”, afirma Ricarte.

Vai ter corte de benefício?

Pode haver substituição de fornecedores, como operadoras de planos de saúde, mas não eliminação. Os especialistas dizem que é difícil cortar benefícios mesmo em tempos de crise, pois há o risco jurídico de ser alvo de ações trabalhistas.

Fonte 6 Minutos
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