As vendas do varejo brasileiro subiram, interrompendo oito meses de quedas seguidas. Em outubro a alta foi de 0,6%, na comparação com setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (16).
Segundo Isabella Nunes, gerente de Comércio e Serviços no IBGE, o resultado positivo do mês de outubro “não repõe a perda” de oito meses seguidos de queda.
Na comparação com outubro do ano passado, o comércio teve a maior queda da série, que teve início em 2001, para o mês de outubro. De lá até 2015, o setor só havia caído em 2003, quando a baixa foi de 2,9%.
No ano, o setor acumula recuo de 3,6% e, em 12 meses, de 2,7% – a maior retração desde janeiro de 2004.
De setembro para outubro, o que contribuiu foram as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceram 2%.
Também contribuíram os setores de tecidos, vestuário e calçados (1,9%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,5%).
A justificativa do resultado positivo de super e hipermercado, que impactou o varejo no mês é a “essencialidade”.
“No momento em que a renda começou a cair, o mercado foi acompanhando. Começa [em outubro] o final de ano, as encomendas de final de ano. Final de ano é um segmento que tem um movimento. E parece que ele [o setor de alimentos] está se recuperando mais cedo do que outros, o que é natural, porque ele é essencial”, explicou Isabella Nunes.
Segundo a gerente, as pessoas também podem estar migrando seus gastos em outros artigos de uso pessoal e doméstico, que caíram 0,6% – lojas de departamentos, cama, mesa e banho, entre outros – para o consumo no setor de alimentos.