64% dos lojistas usam a margem de lucro para precificar no e-commerce, mostra pesquisa

Varejo deve ter vendas até 40% menores neste ano, projeta Ibevar Sexta-feira, 02 de outubro de 2020 RELATÓRIOS, VENDAS Tempo de leitura: 5 minutos 0/5.0 No ano em que as lojas passaram meses fechadas, o varejo imaginava que a salvação viria das vendas de final de ano — principalmente as da Black Friday. Porém, de acordo com projeções do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo), as vendas do comércio devem continuar em baixa nos próximos meses, e apenas alguns poucos setores vão conseguir recuperar o faturamento.Segundo os dados, na média do varejo ampliado, o faturamento em novembro (mês da Black Friday) deve ser 6,6% menor que o registrado no mesmo mês de 2019.Uma das teses que movia a esperança dos varejistas era que o consumidor, impedido de comprar ao longo do ano — seja por causa da quarentena ou por causa do medo de perder o emprego –, abriria a carteira no último trimestre, compensando as vendas que não foram feitas nos meses anteriores. Mas para a maioria dos lojistas, os números devem continuar no vermelho, e para alguns a queda será de dois dígitos.“Apesar de termos alguns segmentos que podem se beneficiar, exatamente porque as pessoas seguraram a decisão de compra para a Black Friday, o conjunto da obra não é favorável para o varejo. A situação do país ainda é de desemprego e de e incerteza em relação à recuperação da economia”, disse Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar, ao 6 Minutos.Angelo ainda lembrou que o mercado de trabalho está piorando desde o início do ano, antes de a pandemia chegar ao Ocidente, e que há uma sensação de desesperança geral entre consumidores e empresários.Setores que avançam Quando comparamos novembro de 2020 com 2019, só devem avançar os setores de materiais de construção (com alta de 6%), supermercados (com alta de 12,1%) e móveis e eletrodomésticos (com alta de 15,9%).“Alguns setores, como o de supermercados, não fecharam durante a quarentena, e continuam impulsionados pela compra de itens de necessidades básicas. Outros segmentos acabaram se beneficiando porque amorteceram a queda do faturamento com o aumento das vendas online“, disse o presidente do Ibevar.Ainda segundo Angelo, as varejistas de eletroeletrônicos, por exemplo, sofreram muito em março, mas rapidamente se posicionaram para encontrar outros canais de vendas, o que ajudou a amenizar as perdas.Já quem vende itens que não são de primeira necessidade e quem não tem alta penetração no varejo digital acaba ficando à míngua. Um dos principais exemplos é o varejo de moda, cuja Black Friday deve ter 49% menos vendas do que no ano passado. As livrarias e papelarias devem ter um desempenho parecido, com 43% de queda no faturamento.Ano perdido para o varejo De Angelo admite que 2020 foi um ano perdido para o varejo. “Nós começamos este ano com expectativa de crescimento de 3% e agora já contamos com uma queda de 6% no faturamento. O bolso do brasileiro foi esvaziado pela crise”, diz ele.Ainda segundo a publicação, perguntado se o pior já ficou para trás, a resposta foi simples e clara: pelo menos para o varejo, não dá para dizer que a ferida foi estancada. “Essa pandemia não se compara a nenhuma crise anterior, porque todas as recessões foram gestadas no contexto de economia e desdobradas no mesmo campo. Agora, temos uma crise gestada no campo sanitário e com reflexos enormes para a renda. Costumo comparar a pandemia atual com um cataclismo, porque ela destruiu muitas relações e desorganizou completamente a economia”.Leia também: 64% dos lojistas usam a margem de lucro para precificar no e-commerce, mostra pesquisaAs informações são do 6 Minutos

A pesquisa ouviu 62 profissionais da área, que explicaram como organizam a gestão financeira das lojas online. O objetivo era entender melhor como funciona a inteligência financeira do empreendedor brasileiro.

Além da margem de lucro, 19% dos entrevistados disse que usam o preço da concorrência como base ao precificar produtos. 8% consideram despesas fixas na hora de atribuir um preço.

Canais de vendas

O foco da pesquisa recaiu sobre a organização financeira em relação à conciliação envolvendo marketplace, mas foi perguntado também aos lojistas por quais canais eles estão vendendo atualmente, tendo o lojista a opção de marcar mais de uma alternativa.

Os destaques caem sobre os que atuam com loja própria e em marketplaces. Além disso, fica perceptível a ascensão dos lojistas que começaram a vender pelo WhatsApp.

Marketplace

Para quem atua em marketplace, 40% dos lojistas responderam que fazem o acompanhamento dos repasses dos produtos vendidos de maneira manual, através do auxílio de planilhas e relatórios dos próprios marketplaces.

27% responderam que usam uma organização própria para acompanhar. E 16% afirmaram usar um software de conciliação.

Além disso, 51% responderam que apenas uma pessoa na equipe fica responsável por acompanhar os repasses realizados pelo marketplace. 29% não conta com ninguém na equipe para esta tarefa. 12% afirmaram que até 3 pessoas cuidam desta tarefa, 3% até 5 pessoas e 3% também contam com mais de 5 pessoas.

Uso do tempo

Para a maioria dos respondentes, 48%, é necessário apenas um dia para realizar a conciliação. 38%, no entanto, afirmaram precisar de 2 a 4 dias por mês para realizar tal tarefa. 6% precisam de 5 a 7 dias e 6% precisam de mais de 11 dias.

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