Placas de “aluga-se” proliferam no comércio

Quem passa pela Melo Alves, rua que tangencia o burburinho das compras no bairro paulistano dos Jardins, encontra dez imóveis comerciais com placas de aluguel em um único quarteirão.

A Oscar Freire, via que ancora o consumismo da região, tem mais uma dezena de vitrines cobertas.

Na paralela Lorena, encontram-se avisos de “alugo” em imóveis vizinhos. Algumas ainda conservam anúncios de “50% de desconto”, da queima de estoque que costuma anteceder o fechamento.

Meia dúzia de portas fechadas pode ser vista na praça Vilaboim, outro endereço badalado por bares no bairro do Higienópolis.

As placas de “aluga-se” e “passo o ponto” proliferam em áreas tradicionais do varejo na capital, cenário que especialistas no setor já interpretam como resultado do esfriamento econômico.

É também o caso da Rebouças. Embora não exiba todas as placas, a avenida tem hoje 22 imóveis disponíveis para locação num trecho de menos de quatro quilômetros, segundo levantamento da Amaral d’Avila, empresa especializada em estudos de investimentos e avaliações imobiliárias.

“Os aluguéis comerciais em São Paulo subiram a um patamar alto na última década. Recentemente, as empresas locadoras vinham operando no limite do viável. Quando o faturamento baixou um pouco, não deu mais para pagar os custos”, diz Celso Amaral, diretor da Amaral d’Avila.

“O fundo do poço vai chegar em julho. Tudo tem uma inércia, e os efeitos vêm a médio prazo. Alta de juros, aliada a aumento da inflação, com perda de renda, tudo isso ocasiona alterações fortes no mercado”, afirma Amaral.

Para ele, a pressão nos preços de locação já causou achatamento de 10%, em média, em relação aos valores praticados há um ano.

“Em locais onde o fluxo e o comércio são muito intensos, como uma 25 de Março, esse impacto é muito menor. Mas o efeito da vacância é um reflexo geral”, diz Amaral. Fonte: Folha

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